História
A história do município de Benjamin Constant está profundamente vinculada à ocupação estratégica da fronteira oeste da Amazônia e ao Ciclo da Borracha. O povoamento inicial da região, de acordo com registros históricos, consolidou-se por volta de 1880 na localidade denominada “Remate de Males”. Segundo a tradição oral, este nome curioso foi dado por um morador que, após vagar doente pela região, encontrou ali a cura para seus sofrimentos.
Benjamin Constant tornou-se Vila em 1896 e, diferentemente de outros municípios desmembrados da capital, sua origem administrativa está ligada ao desmembramento de São Paulo de Olivença. A emancipação política e a elevação à categoria de Cidade ocorreram em 29 de janeiro de 1898, recebendo o nome atual em homenagem ao General Benjamin Constant Botelho de Magalhães, o “Fundador da República”.
Por estar localizada em uma região de fronteira fluvial dinâmica, na confluência dos rios Javari e Solimões, a cidade passou por diversas reorganizações territoriais ao longo das décadas, consolidando-se como um polo estratégico do Alto Solimões e um ponto de integração cultural com o Peru e a Colômbia.
Cultura
Outros potenciais do município são as manifestações culturais, com destaque absoluto para o Festival Folclórico Benjaminense, realizado anualmente no Bumbódromo (Centro Cultural Alcino Castelo Branco). O evento é marcado pela disputa apaixonada entre os bois-bumbás Mangangá (Verde e Branco) e Corajoso (Vermelho e Branco), que dividem a cidade e atraem turistas de toda a tríplice fronteira.
O artesanato local é destaque nacional e internacional, fortemente influenciado pela etnia Tikuna, a mais numerosa da região. A produção artística inclui máscaras rituais, pinturas em tururi (entrecasca de árvore) e cestarias que já despertaram interesse de antropólogos e colecionadores ao redor do mundo. Um conceito forte na região é a arte indígena e ribeirinha ancestral, preservada inclusive pelo Museu Magüta, o primeiro museu indígena do Brasil. São peças que retratam com fidelidade a cosmologia da floresta e o cotidiano do caboclo do Alto Solimões em suas atividades nos rios e matas.